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Dez 10

Palavras dos "B's"

 


“Somos o grupo Vamos Ali, um grupo alargado de amigos de vários pontos do norte e centro do país, unidos pelo gosto do contacto com a natureza e cultura locais.

Realizamos dezenas de actividades ao longo do ano em lugares muito diversos. Algumas mais suaves, outras mais radicais, com ascensões aos picos mais altos do Continente, ilhas, Península Ibérica e outros países, em qualquer estação do ano. Por exemplo, o ano passado colocámos 19 pessoas no 3º ponto mais alto dos Pirenéus, o Monte Perdido e, passados 3 ou 4 dias, 17 no 2º ponto mais alto, o Posets.

Temos formações académicas e profissionais muito diversas, mas, nas actividades somos iguais e solidários. Todos usamos um nick, ou seja, uma espécie de heterónimo/pseudónimo, escolhido pelo próprio ou imposto pelo colectivo.

O nosso modo de funcionamento é aberto: qualquer elemento pode propor actividades diversas que são calendarizadas numa agenda flexível. O proponente prepara, só ou em grupo, uma actividade e orienta os participantes nela.

Comunicamos directamente no decurso dos percursos e sempre que necessário, através de um blog aberto e um fórum restrito.

Não temos uma hierarquia definida embora reconheçamos o papel preponderante de alguns.".

Galga-Montanhas (26-10-2013 - Vilar de Perdizes)

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Pareço um planeta fora de órbita. A montanha tira-me sempre dos eixos. Ou porque só a visito em horas de aflição, ou porque há nela não sei quê de força desequilibradora a que não resisto, nunca, a subi-la sei às quantas ando. Até os pontos cardeais confundo. Eu que não perco o rumo nas grandes cidades do mundo, aqui mais pareço desorientado. Talvez por não me identificar com nenhuma dessas urbes e porque afinal de nenhuma delas consigo abraçar com o olhar o mundo à minha volta.

Tempestade

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Pessoalmente adoro caminhar de noite na montanha. Não daquelas caminhadas que já fiz “à procura de lobos”. Mas daquelas que me obrigam a ter todos os sentidos apurados, já que à volta é apenas escuridão e portanto me dá aquela sensação de enorme fragilidade que apenas me permite sobreviver, algumas delas… também graças à sorte. Sinto-me como um ponto ínfimo no meio do negrume, do vento cada vez mais intenso que nos fustiga e na companhia da vontade de vencer. Esse é para mim o grande companheiro de qualquer aventureiro, especialmente na montanha. Vencer o cansaço, a dificuldade física de respirar pela altitude, da dor que se começa a fazer sentir no tornozelo e pela saudade do conforto.
Afinal o que faço eu ali? Procuro a natureza?
O equilíbrio puro do homem e da montanha. Venero a montanha e acredito que isso me fará conseguir o meu objectivo. E quanto mais sinto o peso da altitude e do esforço, mais necessidade tenho de escolher os pensamentos que me passam pela cabeça. Recordo quem deixei lá em baixo à minha espera, especialmente. Revejo dentro de mim momentos, e sentimentos que tive recentemente, como que para os reorganizar cá dentro. É o meu grande momento na montanha. Ajustar naquelas longas horas de silêncio e caminhada o meu Ser Interior. Reconhecer-me naquela imensidão de gelo, neve, vento, pedra e céu é um exclusivo e um privilégio!
Tempestade

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É difícil subir o monte altíssimo. É preciso trocar tudo pelo instante mágico de chegar ao cume.Ali tudo é radicalmente verdadeiro: não é possível fingir que se vai a caminho. Deixam-se as forças na íngreme escalada, rasga-se a pele nos rochedos, abandona-se o aconchego do calor do corpo ao vento e à neve e ao gelo. Caímos e apetece-nos ficar por ali. Por vezes não sabemos se conseguimos dar mais um passo. Mas é tão belo! Só ali se respira verdadeiramente. Só ali se vêem todas as coisas com o seu verdadeiro relevo e com as suas cores verdadeiras. Só ali um homem se sente realmente rico – ele que deixou tudo lá em baixo.

Messe

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Rostos queimados pelo vento,
Olhos que buscam o destino no horizonte longínquo,
…Gente dura, os montanheiros!
Aceitam o sopro gelado da montanha,
Enfrentam o calor do seu abraço nas duras encostas.
... Numa quimera inútil e sem fim, palmilham os trilhos!
…Gente dura, os montanheiros!

Gente que escuta a majestade do silêncio, nos grandes espaços,
Gente que explode de alegria com o sucesso conjunto,
Gente que se detêm extasiada na imensidão das paisagens,
Gente pronta a dar a mão ao companheiro,
…Gente dura, os montanheiros!

Aos montanheiros(as) do VAMOS ALI
Roibos

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"Tem atenção montanheiro...
Que o teu caminhar seja leve como uma pluma…
Que tua palavras sejam doces como mel…
Que o teu ser seja só harmonia…
Onde minha alma se perde…
É que estarás a pisar o que para mim é chão sagrado!!!"
White Angel

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"Eu transformo-me...
Sou o ar que sopra no rosto,
Sou a água que corre no ribeiro,
Sou a terra que sustenta,
Sou o fogo que acalenta a alma
Eu transformo-me... em paz, amor e harmonia!!!"
O Libelinha

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"Eu naufraguei.
Dias e dias à deriva,
Mas não me cansei.

Nadei até encontrar terra firme,
E lá cheguei.
Gente estranha e vazia,
Eu fui e encontrei.

Não quis mais do mesmo,
Então recomeçei.
Perdido, só e desorientado,
Os meus caminhos eu trilhei.

Mais perto do céu começei andar,
E mais livre me tornei,
Até que por fim e sem querer,
Felizmente me reencontrei."

O Libelinha

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"Procurei-te no mar,
Procurei-te no monte.
Deleitei-me no teu olhar,
Bebi de tua fonte...


Minha alma insaciada te procura,
Meu corpo te reconhece.
E nos trilhos de nossa busca,
As sensações da partilha, nos aquece.
"

White Angel 

Vamos Ali às 00:00

:
Todos os textos muito bons. Parabéns a todos pela coragem, mas porque dois são realmente aqueles que me tocaram, porque me revejo...Messe e Tempestade.
Sem palavras. É bom cheirar o vento na montanha. Abraço...vemo-nos ai por esses caminhos.
Raul a 9 de Abril de 2012 às 13:12

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